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Patrícia Silva de Jesus
Professora Especialista em Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva com ênfase em educação de cegos pela Universidade do Estado da Bahia.

Mãos e olhos

Dia desses eu vi uma comunidade no Orkut para pessoas que possuem a habilidade de escrever com as duas mãos, os chamados ambidestros. Eles se vangloriavam de tal proeza.
Quando aprendi Braille, me desafiei a ler com o tato, embora enxergasse. Sempre disse a meus alunos cegos que ler Braille com as mãos não era um "bicho de sete cabeças", mas eu mesma não sabia fazê-lo. Então, um dia fechei meus olhos e fui explorando um lado meu por mim desconhecido: eu também tenho sensibilidade nestes dedinhos até então "cegos" pela falta de atenção, fruto de um mundo cujo apelo visual é tão intenso que chega a diminuir e até mesmo castrar os outros sentidos.
Foi uma experiência engenhosa, difícil, mas deliciosamente prazerosa. Posso não ser ambidestra, mas sou multisensitiva e, mais importante que isso, quero ser sensível às necessidades dos meus alunos, sugerindo e descobrindo junto a eles caminhos por mim experimentados e outros ainda maiores.

Patrícia Silva de Jesus
28 de abril de 2007

INCLUSÃO PARA TODOS

A Inclusão é uma proposta de acolhimento social participado, onde pessoas com deficiência e sociedade como um todo buscam a eliminação das barreiras da exclusão que mantinham indivíduos que possuem algum comprometimento sensorial ou motor separados dos que se enquadravam no modelo utópico de perfeição. O ato de incluir requer uma postura revolucionária de uma sociedade que se identifica pela marca da heterogeneidade e se permite enriquecer com a diversidade.

O acesso a educação inclusiva é um direito irrevogável de pessoas com ou sem deficiência. A escola, como reprodutora de um sistema social maior, historicamente se orientou por uma “lógica paradoxal”, que ao arriscar incluir um indivíduo, acabava por excluí-lo, pois tentava padronizar, homogeneizar as pessoas, negando-lhes o direito vital de serem únicas.

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva apresenta propostas de uma educação escolar que traz em sua essência a idéia da valorização da diferença e conjuga igualdade e diferença em um só conceito. Essa nova postura diante da heterogeneidade põe em confronto as atitudes discriminatórias e os meios de superação dessas atitudes, e a inclusão assume o centro do debate, conforme diz a Nova política de educação especial.

O objetivo da inclusão escolar, dentro da nova política, é a transformação das ambiências de ensino, de maneira que se tornem lugares de formação e informação de qualidade para todos, irrestritamente. Sua proposta parte do indivíduo e suas peculiaridades, suas diferenças, sem perder de vista a possibilidade de sermos iguais. A inclusão implica em mudança de práticas e conceitos; sob sua égide, igualdade quer dizer “equivalência” e não “padrão de normalidade”, este último responsável pela exclusão cruel que, infelizmente, ainda atinge pessoas que não se adequam às regras.

Uma escola de fato inclusiva e aberta à diversidade, é aquela que faz revisão constante de seu modo de pensar e de fazer educação. Dar sentido ao conhecimento, fazer um planejamento e avaliação do ensino, oportunizar o aperfeiçoamento e a formação continuada de professores, são atitudes que se tornam imperativas na construção de um espaço inclusivo de educação. Além disso, reconhecer a diferença como uma oportunidade de crescimento para pessoas com ou sem deficiência, é uma estrada a ser construída passo a passo, oferecendo voz para todas as pessoas se manifestarem, abrindo caminhos para as idéias transitarem com liberdade de expressão e abrindo os olhos do entendimento para perceber que a nós resta aprender a belíssima arte de conviver.

Patrícia Silva de Jesus


Seminário Biblioteca e Acessibilidade: Deficiência Visual em Foco

Objetivo: Reunir profissionais envolvidos no processo de Informação e Educação de pessoas com deficiência visual no debate acerca de melhores opções de acessibilidade nas ambiências de leitura. Veja mais....

REFLETINDO SOBRE O USO DA PARÁBOLA DOS CEGOS E O ELEFANTE

Por: Patrícia Silva de Jesus

Comunicar uma idéia, partilhar pensamentos, sentimentos, vivências, fazer-se compreendido por seus pares é uma necessidade humana e, na tentativa de saciar esse desejo, o homem busca aprimorar seus canais de informação. Como recurso facilitador da explicação de determinado assunto usa-se frequentemente o que os gregos chamaram de Parábola, uma ilustração literária que estabelece um laço de verossimilhança entre a narração de uma história fictícia e a realidade a qual ela se relaciona. Assim, é bastante comum a diversas culturas o homem usar histórias análogas, parábolas, alegorias, ditados populares, fábulas no transcorrer de sua retórica.

Desde meus primeiros passos no universo da Educação Especial em meados de 1997, participo de congressos, seminários e eventos diversos promovidos por instituições de/para pessoas com deficiência visual e, invariavelmente, algum profissional da área cita a história Os Cegos e O Elefante. Trata-se da narrativa do encontro de um grupo de cegos de nascença que tinham o desejo de conhecer um elefante através do tato e teve seu desejo atendido por alguma pessoa que os conduziu ao animal e permitiu-lhes  tocar o maior mamífero terrestre. Reunidos posteriormente e interrogados sobre que formato teria um elefante, cada um dos cegos apresentou uma versão, baseada em que parte do corpo do animal eles tocaram. Logo, na concepção do cego que tocou a tromba, o elefante era como uma serpente, enquanto outro comparou o bicho a um tronco, por ter tocado a perna. Outro que tocou a orelha afirmou ser o elefante a semelhança de um leque e assim cresceram os equívocos em série. Como reza a sabedoria popular, quem conta um conto aumenta um ponto, então a famosa história apresenta versões com muitos itens variantes, como o número de cegos protagonistas, o cenário onde tudo aconteceu, entre outros. Muda-se tanto essa história que houve quem publicasse um texto chamado “A verdadeira história dos cegos e o elefante” além de outro intitulado “Os sete sábios cegos e o elefante”. Embora esses dados não alterem minha impressão sobre o uso desse texto de conteúdo duvidoso e gosto questionável, prefiro acreditar que sua origem é hindu e que sua versão mais difundida foi produzida pelo poeta americano John Godfrey.

Sei reconhecer a importância de profissionais que fazem de seu trabalho remunerado o seu compromisso diário na luta por melhores opções de convivência em sociedade, mas me sinto angustiada cada vez que escuto esse caso do elefante ser citado como exemplo de como se processa a percepção tátil em um cego e até me perguntei seguidas vezes onde seria possível encontrar sete cegos com um déficit intelectual/sensorial tão severo a ponto de tocarem em partes isoladas de um todo e não se sentirem motivados a explorar o restante, tendo em vista que o sonho da vida deles era conhecer o tal do sucessor do mamute. Já me perguntei também se eu não estaria sendo muito rígida em relação ao texto, por se tratar de uma obra de ficção, mas a resposta que eu mesma me dei depois de muito pensar é que eu não estou censurando a fantasia de quem escreveu e sim contestando a sua utilização por profissionais da Educação Especial pois, mesmo após estudos e convivência com pessoas com deficiência visual, insistem em utilizar como parábola um material que reforça idéias preconcebidas e denotam que estudar e conviver não foram suficientes para eliminar o estereótipo já calcificado, endurecido como uma rocha. Insistem, talvez de forma inconsciente, em difundir o modelo do cego dependente exclusivamente da intervenção de um vidente, como se a cegueira em si fosse um fator limitador das funções intelectuais de um ser humano.

Não faço coro com os que, de maneira irresponsável, afirmam que as pessoas cegas são iguais às videntes na aquisição do saber, pois já me convenci, após estudos e observações práticas, que nem mesmo entre os videntes a aprendizagem se dá de forma unívoca. Reconheço a cegueira como uma limitação grave: a ausência de visão em uma sociedade onde a maioria das informações se dá de forma visual, oferece uma situação que merece ser tratada com seriedade. Tenho inúmeros amigos e ex-alunos cegos e com baixa visão. Pessoas com as quais eu aprendi a me libertar de alguns preconceitos e a iniciar meu processo de eliminação de tantos outros, pois acredito que ser preconceituoso é condição de quem pensa e até brinco com uma frase célebre [Descartes que me perdoe]: penso, logo sou preconceituosa. Justifico dizendo que não estamos imunes a fazer uma imagem mental de uma determinada pessoa ou situação nova, mas que essa impressão preconcebida deve ser avaliada, questionada para não nos tornarmos escravos dos equívocos na convivência com nosso semelhante. Esperar que todas as pessoas cegas tenham os mesmos excelentes resultados em diferentes áreas do conhecimento é uma forma de preconceito que torna sofrível a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, especialmente nas escolas onde professores exigem que seus alunos cegos tenham os mesmos rendimentos e percepções táteis/sinestésicas que outros cegos que os antecederam. Quanto a isso, já ouvi diversas vezes pessoas cegas se queixarem e afirmarem que preferem ser alunos de professores que nunca tiveram em suas classes regulares um aluno com cegueira, pois assim as comparações inexistiriam.

Com tantos problemas a serem sanados, com tanta gente séria batalhando por sua inclusão e de outros nos seguimentos gerais da sociedade, em meio aos inúmeros problemas como falta de recursos financeiros, falta de qualificação profissional consistente, hipocrisia de quem nunca conviveu em nenhum momento de sua vida com uma pessoa com deficiência e se arvora porta-voz dessa parcela da sociedade, nesse cenário crítico onde faltam livros, segurança pública, um desenho arquitetônico que contemple a diversidade de moradores de determinada área urbana, não dá para ficar quieta e me conformar com o fato de ainda existirem profissionais que, quando têm a oportunidade de desmistificar pensamentos errôneos, formadores de opinião que são, acabam por dar reforço aos estigmas, por não selecionarem criticamente seus recursos de palestra. Para mim, o maior celeiro de exemplos práticos e que facilitam a compreensão de outras pessoas, são os vividos diariamente desde minha decisão em ser professora de Braille e ouvi pela primeira vez a famosa história do elefante e os cegos, animal que coloco aqui, propositadamente, antes dos três ou sete cegos da história, pois durante todo o este texto me detive a defender a Educação de pessoas com deficiência visual e em nenhum momento manifestei solidariedade ao pobre bicho, vítima dos equívocos dos “sábios cegos”, sem voz para se defender dessa parábola mal utilizada, que talvez a partir de hoje seja encarada por mim com maior senso de humor, embora minha opinião sobre ela continue a mesma!

27 de maio de 2008

Inclusão Ponto a Ponto: A inclusão Social da Pessoa com Deficiência Visual Através da Produção Escrita*

Não há dúvidas de que a leitura/escrita é um dos maiores legados da humanidade. O homem, na tentativa de comunicar-se mais e melhor com seus pares, criou estratégias gráficas que possibilitavam a troca de informações, a princípio pinturas rupestres com figuras bastante rudimentares, chegando à contemporaneidade com os modernos emoticons da era digital.
(...)
Como meio de acesso à informação, a escrita se tornou imprescindível no mundo contemporâneo e o indivíduo que não se apodera desse bem fatalmente estará à margem dessa sociedade letrada. Saber ordenar caracteres formando palavras foge à essência da genuína produção literária, que é muito mais que reproduzir técnicas de redação e que requer uma elaboração intelectual clara para transmissão do pensamento, implica um olhar crítico sobre o mundo onde se vive.
(...)
Saber escrever é saber ler e saber ler é mais que decifrar caracteres em seqüência, é entender o contexto em que se vive, perceber a realidade na qual está inserido e aceitar-se enquanto agente transformador dessa realidade. Por esta razão há quem se interesse na perpetuação de um sistema de educação cruel e ilógico, onde jovens são treinados para lerem o suficiente para se tornarem consumidores de bens, que dependam apenas de uma leitura rudimentar, como o celular, pois há quem sobreviva da insipiência dos que ignoram a importância social da escrita.
(...)
É necessário desenvolver no jovem o gosto pela escrita, porém dizer que ler é uma excelente forma de ampliar vocabulário ou dizer que a leitura nos permite viajar na imaginação não são argumentos suficientemente fortes para se atrair o jovem contemporâneo a este mundo das letras. Toda criança entra na escola ávida por ler e escrever, porém alguns anos letivos mais tarde, tudo o que elas mais abominam é o ato de ler e escrever.
(...)
As pessoas cegas ficaram em desvantagem em relação à leitura/escrita durante muito tempo, pela inexistência de um meio eficaz de registro de mensagens que permitisse um contato direto entre leitor e o texto, sem interferência de um ledor. Excluídos do convívio social por não se enquadrarem ao modelo utópico de perfeição requerido pela sociedade historicamente, a pessoa com deficiência visual viu suas possibilidades de igualdade ao acesso ao mundo letrado tornando-se algo concreto e literalmente palpável através da invenção ímpar na história da Educação mundial: o Sistema Braille.
(...)
Causa angústia, no entanto, saber que antes mesmo de terem suas amplas possibilidades testadas e ampliadas, antes de ser descoberto na sua plenitude, beleza e eficiência, tal sistema tem sua utilização ameaçada por um processo que já se pode chamar de “desbrailização”, que nada mais é que uma corrente de pensamento que prevê a morte do Braille como recurso educativo e é, em sua etimologia, um paradoxo, pois não se pode desbrailizar uma sociedade que ainda não é, de fato, usuária do Braille.
(...)
As tecnologias existem para facilitar a produção de livros em Braille e não para substituí-lo. Não se trata de uma sacralização do Sistema Braille. Entendo que na ausência de visão o tato é o sentido que permite uma maior precisão na aquisição de informações no universo gráfico. O livro em Braille está para o cego assim como o livro em tinta está para o vidente, dada a possibilidade de a leitura acontecer entre leitor e texto, entre toques e relevos, entre idéia do autor e entendimento do leitor, sem a presença de uma terceira voz.
(...)
Uma das formas mais prazerosas de aquisição de conhecimento se dá através da arte, dado seu caráter lúdico e estético. Atividades artísticas proporcionam o desenvolvimento da capacidade de fazer análises, avaliações, julgamentos, desenvolvimento de formas flexíves de pensar, além das noções estéticas e capacidades artísticas e de expressão de sentimentos, idéias e construção de um olhar mais rico a respeito do mundo.
(...)
Escrever, além de ter seu caráter social, possui um caráter lúdico que precisa ser descoberto pelo indivíduo desde cedo. O prazer de brincar com as palavras, de decodificá-las, de transformá-las artisticamente deve ser oportunizado ao jovem, independente de sua condição física ou de sua limitação sensorial. A escola, bem como a biblioteca, devem ser entendidas como um espaço de convívio de diferenças, de trocas onde, de forma democrática, jovens e adultos, limitados em seus aspectos sensoriais, motores, psicológicos ou não, têm acesso ao saber, que é disponibilizado em forma de texto, independente do formato: digital, Braille, tinta...
(...)
Por fim, pode-se concluir que investir numa “inclusão ponto a ponto”, requer a perfeita engrenagem de itens diversos, pessoas com perfis diferenciados, Porém isso chama à responsabilidade de, numa luta obstinada, se criar parcerias entre profissionais de diversos seguimentos, objetivando a consciência de que, desde a infância, o indivíduo precisa estar em contato com uma leitura apropriada para sua faixa etária e adaptada para sua condição física. No caso das pessoas com deficiência visual, oportunizar o contato com livros em Braille, em formato digital, em áudio e num ambiente que respeite sua idade. Numa biblioteca, por exemplo, lugar de criança com deficiência ou não, é no setor infantil, que deverá reestruturar seu acervo para receber a diversidade de públicos e oportunizar a todas as crianças, irrestritamente, o acesso aos livros e ao convívio em uma sociedade plural e não padronizada.
* Fragmentos do artigo Inclusão Ponto a Ponto: A inclusão Social da Pessoa com Deficiência Visual Através da Produção Escrita produzido pela Professora Especialista em Educação Especial Patrícia Silva de Jesus e apresentado no XI Congresso Brasileiro de Educação de Pessoas Com Deficiência Visual - XI CBEDEV.

O Braille e eu: pontos de amor

Por: Patrícia Silva de Jesus*

Movida pelo desejo pueril de modificar o mundo através do meu compromisso com a Educação, aprendi Braille sozinha aos 16 anos, quando fazia o ensino médio em uma tradicional escola de Magistério de Salvador. Nos corredores da escola, nos intervalos entre uma aula e outra, eu conheci aquela turma de colegas, pessoas com deficiência visual, que transitavam com autonomia, utilizando suas bengalas ou acompanhados de outros colegas “videntes”. Era tudo tão normal! O transitar de alunos para comprar sanduíches, a paquera entre adolescentes, os risos, as crises existenciais, as brigas com os professores por causa de “notas injustas”... Era algo tão cotidiano que, não fosse o detalhe de os cegos usarem bengalas para se conduzirem com segurança, ninguém perceberia a diferença entre aquele que tem e aquele que não tem visão. Às vezes eu notava a falta de visão por que percebia que determinada pessoa tinha um olhar perdido em algum ponto do infinito. Este era apenas um dos pontos que eu aprendi a decifrar, pois cada letra no Sistema Braille pode ter até seis pontos! E foi neste cenário de descobertas de um mundo inteiramente novo, que eu me dei conta de que tudo o que eu mais queria na vida era ser professora em Educação Especial, pois eu precisava oferecer melhores condições de acesso ao conhecimento a pessoas que tinham uma vida tão parecida com a minha, mas que eram excluídos do convívio social pelo fato de não possuírem o sentido da visão.

E foi assim que o Braille entrou definitivamente em minha vida. O que parecia ser uma paixão passageira de adolescente se transformou em afeto, em ternura, em amor. Amor à genialidade de Louis Braille que, há quase 200 anos, criou um sistema capaz de acionar no cérebro de um cego de nascença o ponto relativo à visão; amor à causa da Inclusão Social, direito meu, direito de meu semelhante e pilar de uma sociedade mais acolhedora. Aprendi Braille para melhor me comunicar com meus amigos cegos, que me fizeram enxergar meu semelhante como o próprio nome sugere: alguém que se assemelha a mim. Agora eu não apenas sei Braille: eu vivo o Braille. Espalho esses seis pontinhos de cultura por todo lugar aonde vou. Eu escolhi o Braille como meu parceiro e o Braille me escolheu como sua tiete, defensora, admiradora fervorosa. Hoje ele é meu instrumento de trabalho, minha ideologia, meu “ponto” forte, o primeiro a me dar um sobrenome diferente do que ganhei de meus pais, sim, pois hoje é muito mais fácil alguém encontrar “Patrícia Braille” que encontrar “Patrícia Silva de Jesus”. É um casamento de sucesso, com direito a sobrenome e declaração pública de amor. E já dura há 11 anos...

Salvador, 8 de abril de 2008

Contato: patriciasbt@gmail.com